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sábado, 24 de outubro de 2009

Santos Silva: O impensável globetrotter



Depois de muitas horas de intenso estudo da sua matriz sociológica sobre classes sociais... Depois de ter gramado malhações suas sobre a oposição... Eis que o impensável acontece: Santos Silva não ficou pelo caminho no primeiro governo de Sócrates. Pelo contrário, está vivo e bem de saúde ao assumir a pasta do Ministério da Defesa.
Bem, depois da Cultura e Educação, com Guterres, e dos Assuntos Parlamentares, o seu nincho de armamento retórico e de malabarices contra a oposição no governo de Sócrates, versão 1.0, Augusto Santos Silva regressa com uma pasta que fora, num passado recente negro, de Paulo Portas.
O upgrade  para a versão 2.0 conduzir-nos-á, depois dos submarinos, a comprar armas de destruição maciça para silenciar a oposição?
Vendo bem a posição deste novo governo, não seria de espera que um ministro inexorável, autista e pouco aberto a negociações de égide democrática se mantivesse. O PS precisará de (sobre)viver com acordos pontuais depois das "negas" dadas pelos partidos da oposição, e sobretudo,  tem obrigação de governar realmente à esquerda, como assinou compromisso com os portugueses.
Quanto a Santos Silva, a sua conduta terá que ser mais democrática e bastante mais cordial e culto na auscultação das posições e propostas das outras barricadas de assento parlamentar.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Escutas em Belém e Ética Jornalistica


Este é, certamente, um caso que irá fazer correr muita tinta (mais do que já o faz) no panorama nacional. E com uma grande carga adicional: a sua abrangência, ou melhor a sua multiplicidade de abordagens possíveis.
Uma das questões que mais me intrigam neste fait-diver é o seu timing. Perfeito para uns, menos bom para outros. Há claramente dois corpos políticos envolvidos neste engodo típico de uma novela mexicana: o Presidente da República, Dr. Aníbal Cavaco Silva afecto ao PSD, e o Governo actual, do Partido Socialista.
A meu ver há questões bastante graves aqui encobertas. Num ambiente de asfixia democrática, de usofruto velado, ou não, de alguns órgãos de comunicação social, dois dos grandes jornais diários portugueses desmontam, em vagas sucessivas, a ética jornalística.
Vamos por partes.
O Público, numa declaração proveniente do seu Conselho de Redacção, falou num "atropelo de ética e deontologia jornalísticas", e contestou vivamente o artigo publicado no DN "Assessor do Presidente encomendou o caso das escutas". Porém, há uma face oculta que este jornal parece querer ocultar, haverá um lobby político por detrás do Público? Ou terá sido mera coincidência a sua "instrumentalização" por Fernando Lima? E por outro lado, como terá tido o DN a tão top secret files do seu homónimo concorrente? O estatuto editorial, na minha opinião, claudicou no que se impõe à isenção na produção jornalística. O mesmo se pode argumentar em relação ao Diário de Noticias, pela sua fraca conduta, pouca objectividade de propósitos e investigação nula neste caso tão melindroso:
Obviamente, o main line do DN, do dia 18 de Setembro, não é fruto de um maturado e estruturado estudo jornalístico, limitando-se à colagem de um e-mail interno do Público, que lhe fora fornecido por uma fonte ainda por averiguar. Ora logo por aqui se vê a gritante incompetência e má fé jornalística dado que as fontes não foram sustentadas pela sua genuidade ou carácter inequivoco, nem dando sequer hipóteses de as partes envolvidas se pronunciarem. 
Há claramente intenções políticas no pano de fundo. Pacheco Pereira mostrou-se claramente incomodado com a situação, confrontando o possível cenário de favorecimento do PS nas Legislativas do próximo domingo. Pinto Balsemão crê exactamente no contrário, curiosamente. Sócrates e Ferreira Leite, por sua vez, recusaram esmiuçar o caso, e seguem as suas caravanas tentando transparecer a tranquilidade possível. Resta-nos saber quais as consequências do estrondo que irá protagonizar a demissão do "braço direito" de Cavaco Silva desde 1985.
Dia 27 saberemos as consequências deste abalo em Belém. Iria mais longe, estou muito curioso para perceber até que ponto ficará "beliscada" a imagem de um presidente já um pouco contestado, sobretudo após a teatralidade com o estatuto dos Açores. A seguir atentamente.