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quarta-feira, 29 de setembro de 2010

IVA: 23% de razões para não votar no Bloco Central


Estou indignado. Escrevo este post em alvoroço após o modo leviano e descontraído com que José Sócrates, Teixeira dos Santos e Pedro Silva Pereira anunciaram o assalto ao bolso dos portugueses (não a todos, mas já explico...)
Eu, que acredito piamente no socialismo como o melhor modo de organização social e económico, deixei de acreditar no partido que o proclama. Existem 23 razões, anexadas ao valor do IVA que os portugueses terão de copiosamente pagar, pelas quais o Partido Socialista deixou de o ser:

1 - Subidas sucessivas do IVA
2 - Falta de incentivos à contratação colectiva e sem termo (isto apesar de existirem programas de maquilhagem para a contratação sem termo)
3 - Política de obras públicas miserável e desproporcional em tempo de crise: TGV!
4 - Políticas de Educação que constituem um atentado ao Ensino Superior: propinas exacerbadas e falta de acção social
5 - Conjuntura de crise - medidas de direita = bancos saem imaculados da crise sem qualquer rombo nos milhões de euros que facturam todos os anos 
6 - SCUT's - transformadas em AE's taxadas até ao mais ínfimo cêntimo
7 - Falta de estratégias no apoio a empresas (Ex. Quimonda)
8 - Caso do BPN
9 - Caso do BPP
10 - Falta de combate à economia paralela
11 - Favorecimento de lobbies em obras e planos públicos (Computador Magalhães)
12 - Falta de ética, frontalidade e coerência ideológica nas medidas apresentadas
13 - Recalcamento de modelos económicos esgotados (Ex. Pacote de Austeridade à imagem da Irlanda, que está num ciclo vicioso de desintegração social e económico)
14 - Falta de investimento no sector primário
15 - Mau investimento no sector primário (perda de verbas e contribuições europeias)
16 - Falta de censura, no Parlamento Europeu, à atitude xenófoba do governo francês de Sarkozy
17 - IVA bloqueador das empresas portuguesas, o que torna perene o ciclo de desemprego
18 - Parcerias público-privadas mal geridas e dispendiosas (HPP's, Empresas Camarárias)
19 - Sentimento capitalista europeu e falta de sentido de Estado
20 - Cortes no Abono de Família dos escalões mais carenciados 
21 - Falta de políticas activas de emprego
22 - O "tango" com Passos Coelho
23 - A chantagem política e moral para a continuidade de uma política de direita que prejudica o país

O capitalismo ultra-liberal sai reforçado, num tango a dois, dois gémeos siameses que perpetuam a decadência de uma pátria prometida até nunca...

Votem contra a irresponsabilidade de demência política do Bloco Central. Basta!!!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Revivalismos, muito actuais

"Surge Janeiro frio e pardacento,
Descem da serra os lobos ao povoado;
Assentam-se os fantoches em São Bento
E o Decreto da fome é publicado.

Edita-se a novela do Orçamento;
Cresce a miséria ao povo amordaçado;
Mas os biltres do novo parlamento
Usufruem seis contos de ordenado.

E enquanto à fome o povo se estiola,
Certo santo pupilo de Loyola,
Mistura de judeu e de vilão,

Também faz o pequeno "sacrifício"
De trinta contos - só! - por seu ofício
Receber, a bem dele... e da nação."


Obviamente José Régio foi um dos poetas portugueses mais geniais e virtuosos.
Qual "velho do Restelo", uma visão de 1969, mas que é perfeitamente adaptável ao cenário político português.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

"O Fim da Linha" Mário Crespo

 

Porque cada vez que um jornal fecha, ou mais recentemente, quando um jornalista é "silenciado", perde-se um pouco da democracia...

Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.

Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.

sábado, 7 de novembro de 2009

Depois do Freeport e das Escutas em Belém.... o caso "Face Oculta"


Esta deve ser a imagem que melhor caracteriza José Sócrates, neste momento. Ainda não recomposto da polémica agastante do caso Freeport, de toda a polémica com o Jornal Nacional da TVI e do Caso das Escutas em Belém, o Governo chefiado por Sócrates sofre agora novo abalo com um caso de proporções astronómicas na economica e finanças portuguesas, onde estão envolvidas figuras de proa da banca e grandes empresas como a REN ou o Millenium BCP.
A corrupção, a promiscuidade na economia e o ambiente pesado, que se vive no diametro da política portuguesa, criam todo um ciclo negativo de desconfiança generalizada, nada conveniente a um país com tão graves problemas de cariz social: desemprego, pobreza, disparidade entre ricos e pobres, precaridade laboral, enfim... uma lista que poderia estar a noite a pontificar.
Concordo com Sócrates, a justiça deve funcionar, de preferência com uma novidade: rápido e bem. E que o Governo não se envolva em mais polémicas, pois quem sai a perder somos todos nós portugueses.

sábado, 24 de outubro de 2009

Santos Silva: O impensável globetrotter



Depois de muitas horas de intenso estudo da sua matriz sociológica sobre classes sociais... Depois de ter gramado malhações suas sobre a oposição... Eis que o impensável acontece: Santos Silva não ficou pelo caminho no primeiro governo de Sócrates. Pelo contrário, está vivo e bem de saúde ao assumir a pasta do Ministério da Defesa.
Bem, depois da Cultura e Educação, com Guterres, e dos Assuntos Parlamentares, o seu nincho de armamento retórico e de malabarices contra a oposição no governo de Sócrates, versão 1.0, Augusto Santos Silva regressa com uma pasta que fora, num passado recente negro, de Paulo Portas.
O upgrade  para a versão 2.0 conduzir-nos-á, depois dos submarinos, a comprar armas de destruição maciça para silenciar a oposição?
Vendo bem a posição deste novo governo, não seria de espera que um ministro inexorável, autista e pouco aberto a negociações de égide democrática se mantivesse. O PS precisará de (sobre)viver com acordos pontuais depois das "negas" dadas pelos partidos da oposição, e sobretudo,  tem obrigação de governar realmente à esquerda, como assinou compromisso com os portugueses.
Quanto a Santos Silva, a sua conduta terá que ser mais democrática e bastante mais cordial e culto na auscultação das posições e propostas das outras barricadas de assento parlamentar.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

O provincianismo gritante da política portuguesa



Depois das torradeiras, dos ferros de engomar, em Portugal continua a inovar-se no que toca a marketing eleitoral: nada melhor para convencer o eleitorado do que um bom chouriço de colorau...
A proeza feita em 2005, na freguesia de Maximinos, em Braga, volta a ser reeditada em 2009.
Isto é um espelho fiél de muitos políticos portugueses: pouco crediveis, com falta de ética, paupérrimos em projectos e saloios quanto baste.
Pelo evoluir dos factos, com o choque tecnológico, em 2013, dar-se-ão leitores de mp3, ecrãns plasma, ou mesmo os fantásticos Magalhães, cheios de erros ortográficos e de sintaxe do português.
Viveres deste género são importantes num país onde a taxa de pobreza cresce a olhos vistos, mas mais importantes são as políticas, credíveis e geradoras de maior justiça e igualdade social.
Há que reinventar a forma de fazer política, e o debate da participação cívica, mas não pela lei do chouriço...